AS ADAPTAÇÕES AO AMBIENTE, AS FIXAÇÕES E AS MUTAÇÕES DE GENES

26/09/2020

                                      

De forma muito despretensiosa, o que nos interessa aqui é a correlação entre a adaptabilidade às condições de ambiente (doméstico), as mutações e as fixações.

 

Mutação é uma alteração que ocorre no material genético dos indivíduos. Ela não pode ser controlada, ocorre ao acaso e na maioria das vezes é prejudicial. Existem fatores que induzem a mutação, como radiação, tabagismo, alguns fármacos... Algumas mutações são herdáveis, outras não. Ainda, se dividem em vários tipos diferentes.

 

A fixação é, em sentido literal, uma forma de homogeneizar um determinado padrão de alelos e reduzir o espaço para variação nas características do indivíduo.

 

Como a maioria das mutações são prejudiciais, é importante ressaltar que o plus de dificuldade imposto a estes indivíduos tendem a abreviar sua sobrevivência e dificultar sobremaneira sua reprodução, resultando na não transmissão de seus genes. Lado outro, mutações “benéficas” tendem a assegurar melhor adaptabilidade ao indivíduo, garantindo-lhe melhores condições de sobrevivência e proliferação de seus genes.

 

Reduzindo ainda mais o alcance e profundidade do texto, forçoso refletir especialmente sobre a situação ex situ de pássaros em criação doméstica. Aqui, independente da ocorrência de mutação, pássaros que apresentem menor libido, alguma anomalia física ou até mesmo portadores de alguns patógenos, já possuem menos chances de reprodução. Mas além dessa “seleção de cunho natural”, sobrevém a questão da “seleção artificial”, aqui compreendida como aquela com interferência humana direta, dirigida, visando melhor nível no plantel, na qual se confere prioridade de reprodução aos animais tidos como portadores das qualidades desejáveis para obtenção de melhor rendimento em competições.

 

Mirando caracteres que otimizem e abreviem a apresentação dos pássaros em torneios, exemplares que apresentem mais fibra, mais repetição e até que suprimam a “fase maracajá” têm recebido “privilégios” reprodutivos nessa seleção artificial. Tais características estão sendo fixadas pelos criadores, especialmente nos cruzamentos endogâmicos realizados.

 

Diante de cada vez mais adeptos de cruzamentos que busquem a fixação de genes e a consequente redução de caracteres diversos, a mutação se apresenta como um fator de “descontrole” nessa interferência humana.

 

Tenho observado que alguns locos tendem a abrigar mais ocorrência de mutações que outros, como é o caso do loco Oa35. O bicudo Pelé, campeão nacional em 2004, nasceu com o par 203/348, sendo o alelo 203 herdado de seu pai e o 348 sendo uma mutação do 343 de sua mãe; e ele transmitiu isso para pelo menos um dos quatro filhos que deixou. Em meu plantel já identifiquei ocorrência de três mutações (3 dos 90 filhotes criados), todas no mesmo loco Oa35. Em uma, que chamei de descrescente, o alelo 193 da mãe virou 188 no filhote e noutro, crescente, o alelo 203 virou 208. Que o amigo Waldir me perdoe a indiscrição, mas trouxe ao meu conhecimento um caso interessantíssimo de um filhote nascido com a cor canela, já destacada visualmente no ninho e morto com poucos dias de vida, cujo CIG acusou mutação nesse mesmo loco Oa35. Observem que, embora não seja uma regra absoluta, a mutação tem ocorrido em numeral correspondente a 5. Na família de locos Oa, os alelos sempre terminam com 3 ou 8; e na família de locos Un terminam com 0 e 5. As mutações quase sempre acontecem no primeiro número acima ou abaixo.

 

Prematura qualquer conclusão sem melhor análise quantitativa, qualitativa e com moldura científica, mas devemos observar, registrar e buscar sempre o conhecimento. Estamos preservando, mas também estamos interferindo diretamente na evolução da espécie. E a natureza ainda mantém o controle ao inserir o fator imponderável da mutação!

 

 

Rodrigo C S Araújo
Gov. Valadares/MG

 

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